O ano passado marcou mais um ano desafiante para a democracia e a liberdade na internet. Uma tendência notável foi a crescente disposição de governos autoritários para prejudicar as suas próprias economias e os meios de subsistência dos cidadãos ao implementar apagões totais da internet.
Ainda mais notável, no entanto, foi a ameaça crescente à liberdade na internet nas democracias ocidentais em geral consideradas “livres”. Desde leis de verificação de idade introduzidas sem considerar todas as implicações até restrições nas redes sociais e bloqueios de servidores DNS, o acesso a uma internet livre e aberta está agora mais ameaçado do que nunca.
Como sempre, o Proton VPN está na linha da frente desta batalha para proteger a privacidade e a liberdade de expressão. Cada vez mais, o mundo depende dos nossos serviços para se defender nesta escalada dramática da guerra global contra a liberdade na internet.
Observámos aumentos sem precedentes nas ligações ao Proton VPN em todo o mundo, à medida que as pessoas se recusam a ser silenciadas. À medida que a pressão aumentava, cidadãos de todo o lado reagiram, recorrendo a ferramentas de privacidade em números recorde para vencer a censura e recuperar o seu direito a uma internet aberta e sem censura. — David Peterson, Diretor-Geral do Proton VPN.
Em 2025, observámos picos de inscrições no Proton VPN em 62 países. Definimos um pico como qualquer aumento súbito que ultrapasse 100 % face ao nível de referência anterior. Estes aumentos incluíram:
- 10 países com pelo menos um pico de inscrições superior a 1.000 %
- Seis países com pelo menos um pico de inscrições superior a 5.000 %
- Quatro países com pelo menos um pico de inscrições superior a 10.000 %
Neste relatório, vamos analisar o que tornou 2025 tão notável. Vamos explorar onde as pressões sobre a liberdade de expressão se intensificaram e como pessoas comuns em todo o mundo reagiram. Com base em dados do nosso observatório e em padrões globais de utilização, iremos delinear as forças que estão agora a moldar a liberdade online — e o que elas poderão sinalizar para o próximo ano.
Picos e apagões mais notáveis em 2025
Picos e apagões devido à censura e à agitação civil
Quando a pressão política aumenta, a internet é muitas vezes a primeira vítima. Em vários países, os governos responderam a conflitos e eleições não com transparência, mas com apagões, limitação de velocidade e isolamento da web global. Estes incidentes mostram quão frágil o acesso digital pode ser e porque as ferramentas que preservam a conectividade são agora mais importantes do que nunca.
1. Irão
A 18 de junho, à medida que a guerra Irão-Israel se agravava, o Irão impôs um apagão da internet quase total que durou três dias. O governo cortou as ligações internacionais e bloqueou o acesso a sítios web, redes sociais, serviços de mensagens e servidores VPN estrangeiros. Apenas a intranet doméstica do Irão e os serviços aprovados pelo governo permaneceram acessíveis.
A largura de banda limitada regressou a 21 de junho, mas as redes permaneceram fortemente limitadas apenas a serviços essenciais. Após um cessar-fogo mediado pelos EUA a 24 de junho, o acesso normal (censurado) à internet foi restaurado. A 26 de junho, as inscrições no Proton VPN aumentaram 5.500 % à medida que os iranianos procuravam formas de aceder a notícias internacionais.

2. Tanzânia
As eleições gerais de outubro na Tanzânia viram os dois principais candidatos da oposição serem impedidos de constar do boletim de voto, desencadeando protestos em várias cidades. As forças de segurança responderam com força letal(nova janela), provocando muitas mortes e feridos, e o governo desligou a internet durante cinco dias. Quando o serviço foi retomado, as inscrições em VPN aumentaram 2.000 %.

3. Afeganistão
A 29 de setembro, invocando a “imoralidade”, os Taliban impuseram um apagão total da internet durante 24 horas que afetou cerca de 30 % da população. O encerramento ocorreu depois de o regime começar a remover(nova janela) livros escritos por mulheres das universidades e a restringir a educação das raparigas após os 12 anos, levando algumas mulheres a recorrer à aprendizagem online.
Mesmo depois de o apagão ter terminado, o acesso ao Facebook, Instagram e X permaneceu limitado. As inscrições no Proton VPN dispararam uns impressionantes 35.000 % à medida que os afegãos procuravam formas de se ligar ao estrangeiro. Perturbações subsequentes, incluindo um apagão separado a 14 de outubro, mantiveram a procura de VPN elevada.

4. Papua Nova Guiné
A 25 de março de 2025, a Papua-Nova Guiné bloqueou abruptamente o acesso ao Facebook(nova janela), alegando tratar-se de um “teste” para travar a desinformação, o discurso de ódio, a pornografia e outros conteúdos prejudiciais durante um evento de emergência nacional. Os críticos observaram que o momento coincidiu com o testemunho do primeiro-ministro James Marape num julgamento por corrupção, sugerindo que a medida visava suprimir a cobertura noticiosa e os comentários em tempo real.
Como o Facebook é uma importante porta de entrada para a internet em geral para muitos residentes da PNG, as inscrições no Proton VPN dispararam mais de 14.000 % no mesmo dia.

Veja mais dos principais momentos de censura de 2025
Picos devido a alterações legais e regulamentares
O controlo da internet nem sempre se parece com um apagão. Cada vez mais, surge envolvido em regulamentação. Novas leis que expandem a verificação de idade e os requisitos de identidade podem criar pressão para entregar dados pessoais sensíveis apenas para aceder a conteúdo legal. Quando a confiança no tratamento de dados se deteriora, os utilizadores procuram alternativas.
1. Reino Unido
A controversa Online Safety Act do Reino Unido, que introduziu nova verificação de idade exigindo que todos os sítios com conteúdo gerado por utilizadores verifiquem a idade dos seus utilizadores, entrou em vigor a 25 de julho. Na prática, isto significou que aos adultos foi cada vez mais pedido que provassem a sua identidade, muitas vezes carregando um documento de identificação emitido pelo governo ou enviando dados biométricos, para aceder a conteúdo legal.
Muitas pessoas mostraram relutância em cumprir, especialmente à luz de várias violações de dados mediáticas que fizeram manchetes na mesma altura. A violação de dados da aplicação Tea(nova janela) expôs informações particularmente sensíveis de utilizadores: 72.000 imagens, incluindo 13.000 fotografias de verificação e imagens de documentos de identificação emitidos pelo governo, e foi seguida por mais incidentes deste tipo, incluindo fugas de dados envolvendo o Discord(nova janela) e o Mixpanel(nova janela).
Em conjunto, estes eventos reforçaram receios sobre como os dados pessoais são recolhidos, armazenados e protegidos por serviços online, e resultaram num notável aumento de 1200 % nas inscrições no Proton VPN.

2. Espanha
A La Liga (a principal liga de futebol de Espanha) quis reprimir o streaming ilegal de jogos. Para isso, obteve uma ordem judicial que lhe permitiu bloquear endereços IP associados à pirataria, exigindo de imediato que vários ISPs o fizessem.
No entanto, muitos dos endereços IP bloqueados pertenciam à Cloudflare, um fornecedor global de infraestrutura. E como a Cloudflare usa endereços IP partilhados, milhões de sítios web legítimos partilham os mesmos endereços IP que os sítios piratas. O resultado? Bloqueio excessivo generalizado de milhões de sítios web legítimos.
Esta continua a ser uma situação em curso, resultando em picos consistentes de inscrições no Proton VPN ao longo do ano, nomeadamente em fevereiro (+110 %) e outubro (+200 %). É particularmente notável o facto de os aumentos na utilização de VPN terem ocorrido sempre que os bloqueios foram implementados, e não apenas durante os jogos. Isto sugere fortemente que os espanhóis estão a recorrer a VPNs simplesmente para aceder aos sítios web legítimos que costumam frequentar.

3. EUA
Em 2024, apresentando a medida como proteção contra “aplicações controladas por adversários estrangeiros”, o Congresso aprovou legislação que exigia ao TikTok alienar as suas operações nos EUA ou enfrentar a remoção das lojas de aplicações e da infraestrutura de internet dos EUA.
A 19 de janeiro de 2025, a aplicação TikTok deixou brevemente de funcionar(nova janela) para os utilizadores dos EUA, e a aplicação foi removida das lojas de aplicações da Apple e da Google. A ferramenta de edição de vídeo CapCut (desenvolvida pelos proprietários do TikTok) também ficou indisponível. Durante este período, registámos um aumento de 520 % nas inscrições no Proton VPN.
No entanto, em poucas horas, a administração Trump em transição assinou uma ordem executiva adiando a aplicação da medida, dando ao TikTok mais tempo para encontrar um comprador e suspendendo efetivamente a proibição várias vezes ao longo de 2025.

Cronologia dos picos

Picos de inscrições por região
A instabilidade política em muitos países da África subsaariana, incluindo Tanzânia, Togo, República Democrática do Congo e Sudão do Sul, resultou num aumento notável dos apagões totais da internet e de picos de inscrições no Proton VPN em toda a região.
O ano passado também registou um aumento considerável nas inscrições de países do Sudeste Asiático e do Médio Oriente, como Türkiye, Myanmar, Camboja, Irão e Papua-Nova Guiné, em resposta a restrições nas redes sociais (frequentemente implementadas em resposta à agitação civil ou com o objetivo de a prevenir).
Talvez o desenvolvimento novo mais interessante, porém, tenha sido o número de picos que testemunhámos em democracias ocidentais como o Reino Unido, os EUA, Espanha e França.

O Proton VPN está na linha da frente da batalha contra a censura
O Proton VPN disponibiliza ferramentas e serviços essenciais que permitem às pessoas aceder à internet livre e aberta, independentemente de onde estejam. Entre estes incluem-se:
- Serviço VPN 100 % gratuito sem limites de dados: garantir que o nosso serviço está disponível para quem mais precisa dele é central para a missão da Proton.
- Redirecionamento alternativo: se o nosso software não conseguir ligar-se diretamente aos nossos servidores, encaminha a sua ligação através de serviços de terceiros (como a AWS) que dificilmente serão bloqueados.
- Stealth: o nosso protocolo VPN ofuscado e resistente a DPI baseado em WireGuard® é eficaz a vencer muitas formas de censura online.
- Smart protocol: quando o protocolo VPN predefinido é bloqueado, as nossas aplicações mudam automaticamente para diferentes protocolos VPN e portas para contornar o bloqueio.
- Disponível a partir de várias fontes: quando o acesso ao nosso sítio web é bloqueado, o Proton VPN pode ser transferido a partir de fontes de terceiros como a Apple App Store(nova janela), a Google Play(nova janela), a Amazon app store(nova janela) e o F-Droid(nova janela). Está disponível como APK, e todas as nossas aplicações de código aberto estão disponíveis para compilar e transferir a partir do GitHub(nova janela).
Naturalmente, o Proton VPN está sempre a trabalhar em novas formas de melhorar as nossas capacidades anticensura. Em 2025 acrescentámos:
Modo convidado no iOS
Esta funcionalidade popular no Android está agora disponível para iPhones. Basta instalar a aplicação e tocar no botão Continuar como convidado para vencer a censura e proteger a sua privacidade online.
Mais localizações de servidor gratuitas
Expandimos a nossa seleção de localizações de servidor gratuitas para 10 países. Agora pode ligar-se a servidores gratuitos nos Países Baixos, Japão, Roménia, Polónia, Noruega, Suíça, Singapura, México, Canadá e Estados Unidos.
Mais localizações de servidor
Também expandimos o número total de localizações de servidor às quais se pode ligar com um plano pago do Proton VPN. Agora pode vencer os esforços governamentais para censurar ligações internacionais e aceder a conteúdo local ligando-se a mais de 17.000 servidores VPN em 127 países. As localizações adicionadas em 2025 incluem Panamá, Arménia, Mongólia, Laos, Brunei, Cuba, República Dominicana, Camarões, Guatemala e Honduras.
Mais formas de comprar Proton VPN
Além do nosso suporte de longa data para pagamentos diretos em numerário e Bitcoin, agora também é possível comprar planos pagos do Proton VPN usando Monero, Litecoin, Ethereum e mais, através de parceiros.
Seja o que 2026 trouxer, o Proton VPN está preparado
As tendências que surgiram em 2025 não mostram sinais de abrandamento em 2026. Governos em todo o mundo mostram-se cada vez mais dispostos a restringir o acesso à internet como primeira resposta a pressão política, agitação civil ou ambição regulamentar. Em estados autoritários, isto tem significado apagões mais frequentes e mais severos, mesmo com um custo económico significativo.
Nas democracias, a ameaça é mais subtil, mas não menos real. Leis mal concebidas, ferramentas de aplicação inflexíveis e mecanismos de conformidade do setor privado estão a fragmentar o acesso à internet aberta de formas que outrora seriam consideradas impensáveis.
Ao mesmo tempo, 2025 deixou uma coisa clara: as pessoas adaptam-se rapidamente. Quer enfrentem apagões totais, proibições de redes sociais, verificações obrigatórias de identidade ou bloqueios indiscriminados de fornecedores de infraestrutura, milhões recorreram ao Proton VPN não para infringir a lei, mas para se manterem informados, comunicar livremente e aceder aos serviços de que dependem.
O número crescente de grandes picos de inscrições em países democráticos sugere que as ferramentas de contorno já não são usadas apenas nas margens da sociedade. Estão a tornar-se uma resposta generalizada ao excesso de poder, à censura e à perda de confiança na forma como o acesso online é governado.
À medida que avançamos para 2026, é provável que a luta pela liberdade na internet se intensifique. Mais governos irão testar os limites do controlo, e mais pessoas procurarão formas de o contornar. O Proton VPN continuará a investir em acesso gratuito, tecnologia anticensura mais forte e maior disponibilidade global, para que, onde quer que surjam restrições, as pessoas tenham uma forma fiável de se manter ligadas à internet aberta. Por exemplo, estamos atualmente a trabalhar em:
- Uma nova base de código VPN: oferecerá capacidades anticensura de topo, ativará o suporte para Stealth no Linux, impulsionará a próxima geração do Stealth e lançará as bases para encriptação pós-quântica.
- Uma CLI para Linux melhorada: a nossa ferramenta de linha de comandos para Linux permite que qualquer pessoa aceda à internet aberta usando apenas o hardware mais básico. Recentemente adicionámos várias opções avançadas de configuração, e iremos expandi-las ao longo de 2026.
À medida que entramos em 2026, os dados de 2025 sublinham uma verdade poderosa: sempre que a censura aperta o cerco, desde apagões da internet a bloqueios de aplicações, as pessoas reagem recorrendo a VPNs em números sem precedentes para proteger as suas vozes e aceder a informação sem censura. Mantemo-nos profundamente comprometidos com esta batalha; a nossa equipa continuará a trabalhar incansavelmente para inovar, lançar novas funcionalidades anticensura e reforçar as nossas ferramentas para que os utilizadores em todo o mundo possam vencer restrições e recuperar a sua liberdade online. Graças à comunidade Proton VPN, garantiremos que a privacidade e uma internet aberta prevaleçam. — David Peterson.
Sejam quais forem os desafios que 2026 traga, a mensagem de 2025 é clara: quando o acesso à internet é ameaçado, as pessoas reagem. E o Proton VPN estará presente para as apoiar.






